capa_cinderela_centopeiaSobre a Obra:

CINDERELA CENTOPEIA – Está assentado que jamais decifraremos o mistério estético: a emoção criada pela arte. A ficção é uma fraude – nada é real, embora aspire ser. Literatura é uma narrativa inventada, no entanto, capaz de convencer e envolver o leitor pela magia usada pelo autor – magia que requer criatividade, tempo e suor. Milton ou Mallarmé buscavam a justificação de sua vida na redação de um poema ou de uma página. Ao dedicar o escasso tempo de sua existência à criação de vidas irreais, o autor revela inconsciente rejeição à vida real e ao mundo que o cerca, e o desejo oculto de substituí-las por outras imaginadas, num mundo distinto daquele em que vive. Nesse mundo criado, ele poderá realizar seu ideal de justiça, a satisfação de apetites sádicos ou masoquistas, o humano anseio de viver uma grande aventura, ou um amor impossível. Uma pessoa conformada e satisfeita com a vida e o mundo não cria ficções. No seu prólogo, Malu de Castro lembra os fantasmas de mendigo, bêbado e doida, que agitavam sua noite, perturbavam o sonho, espantavam o sono e lhe ocupavam a mente. Os temas escolhem o autor, não ele aos temas. O processo, além de autofágico, inclui a angústia da criação. O autor nutre-se de si mesmo, da própria existência, da acumulação existencial, do saber intelectual, do próprio suor e tempo. Escreve-se para sobreviver, não para se imortalizar. E num país onde a literatura nada significa para a maioria e subsiste à margem da sociedade, escrever é atividade quase clandestina. A inclinação, da infância ou adolescência, para fantasiar pessoas, situações e histórias alheias ao mundo real, tem sido interpretada como prenúncio do que, vindo ela mais tarde a escrever, se identificará como pendor literário. Conta a autora que, ao escrever sobre os seus espectros noturnos, eles se alforriaram, assumiram vida própria e deram a essa vida um rumo, ironicamente, alheio à vontade da própria autora. Sua escrita foi fruto de necessidade, mais que de decisão. Para todo autor, o ato de escrever é o melhor que lhe pode acontecer, é a melhor maneira de viver, independente dos resultados dos seus escritos. Dando o melhor de si, sente-se de bem consigo mesmo, sem a dolorosa sensação de estar desperdiçando a vida. Creio que foi o que aconteceu com Malu de Castro. Alcione Araújo [Rio de Janeiro 12/09/2012]

Sobre o Autor:

Aos oito anos de idade fui matriculada num colégio onde só se falava francês. Foi difícil, mas depois de sete anos, falava, lia e escrevia. Sempre que tenho a opção, leio em francês para não me esquecer. Meu pai, Oscar Gomes de Castro, médico e autor de vários livros, me ensinou a amar a leitura, o estudo e o saber. Leio biografi as, ciência, fi losofi a, psicologia e sobre a história do homem. O comportamento dos poderosos, infelizmente, pouco mudou! Aos dezoito anos entrei na 1ª turma do Instituto de Física da PUC no Rio de Janeiro. Foi difícil, tendo feito o 2º grau num colégio fraco em exatas e sem o cursinho pré-vestibular. Depois de cinco anos, minha meta era transmitir o que aprendi, desmitificando a matemática. Fui professora no Rio e em São Paulo. Saí de Ipanema, no Rio de Janeiro, direto para São Paulo, aonde moro há quarenta anos. Foi difícil, pois minha filha Ana Luiza tinha apenas quinze dias. Aqui criei meus fi lhos cariocas: Carlos André, Ana Luiza e Maria Julia, que me já deram quatro netos paulistas: Matias, Sofia, Tereza e Alice. Incentivada pelo Thomaz, meu marido, decidi enfrentar mais um desafio e publicar este livro. Difícil tomar coragem de me separar das estórias que me acompanharam por toda uma vida…

Cinderela centopeia